Códigos de falha
Scanner antes de comprar um usado: códigos apagados e monitores não prontos
Uma tela sem código pode ser memória recém-apagada. Veja o que os monitores de prontidão mostram, de onde vem essa regra e as perguntas a fazer antes de fechar negócio.
Não dá para confiar só na tela sem código. Ela mostra que, naquela leitura, o aparelho não encontrou registro guardado. Não mostra se a memória foi apagada na véspera. A informação que ajuda é o estado de prontidão dos monitores, que indica se os autotestes do sistema de emissões já rodaram desde a última vez que foram zerados. Monitores “não prontos” num carro que o vendedor diz usar todo dia pedem explicação antes do negócio.
A regra que explica esses estados vem de um texto americano, a seção 40 CFR 86.1806-05, que usamos porque é pública e gratuita. É texto histórico: foi retirada do regulamento dos Estados Unidos em 17 de junho de 2024 e não é a norma brasileira. O Brasil tem regras próprias de diagnose, descritas no guia sobre OBD no Brasil.
O que o texto americano histórico previa
| Situação | O que a seção 86.1806-05 dizia | Parágrafo |
|---|---|---|
| Luz da injeção ao dar a partida | Acende com a chave ligada antes da partida e apaga depois, se não havia falha detectada | (d)(1) |
| Luz apagando sozinha | Podia apagar após três viagens seguidas sem a falha voltar | (d)(1) |
| Código sumindo da memória | O sistema podia apagar o código se ele não reaparecesse em pelo menos 40 ciclos de aquecimento, com a luz apagada | (e)(3) |
| Monitores de prontidão | Códigos separados indicam quais sistemas precisam de mais uso do carro para completar a avaliação | (e)(4) |
| Zerar a prontidão | Não podia ir a “não pronto” ao ligar ou desligar a chave; quando um procedimento de serviço zerasse, tinha de zerar todos | (e)(4) |
| Monitores contínuos | Falha de combustão e sistema de combustível não precisavam de código de prontidão | (e)(4) |
A última linha explica por que alguns aplicativos mostram menos monitores do que outros, ou marcam alguns como “não se aplica”. A regra mostra a lógica, mas o que o seu scanner exibe depende do carro, do aparelho e do software.
Como ler a tela de prontidão
Os sistemas que a seção 86.1806-05 mandava monitorar incluem catalisador, falha de combustão, sondas de oxigênio, vazamento do sistema evaporativo e outros sistemas de controle de emissões, como a recirculação de gases (parágrafo (b)). Cada aplicativo apresenta a prontidão do seu jeito, em geral como pronto, não pronto ou não suportado. Leia assim:
- Todos prontos e nenhum código. Os autotestes rodaram desde a última vez que foram zerados e não há registro guardado. É o melhor cenário que a leitura pode dar, e ainda não é inspeção mecânica.
- Vários não prontos. Os testes ainda não terminaram. Pela regra histórica, um procedimento de serviço que zera a prontidão zera todos os itens de uma vez. O texto não lista as causas possíveis, e este guia também não vai inventar uma.
- Um código presente. Guarde a leitura completa e siga o que fazer depois que o scanner registra um código.
A Bosch, que vende scanners profissionais, diz na página dos equipamentos que a cobertura de funções e dados do software ESI[tronic] varia com a licença e o pacote. Um adaptador barato e um equipamento de oficina podem mostrar telas diferentes para o mesmo carro.
Checklist antes de fechar negócio
- Ligue a chave e observe o teste das luzes do painel na partida. Na regra histórica, a luz da injeção acende antes da partida e apaga depois dela quando não há falha detectada; confira no manual do modelo.
- Conecte o scanner e salve duas telas: códigos e prontidão. Anote data, quilometragem e o nome do aplicativo.
- Pergunte ao vendedor quando o carro rodou pela última vez e se passou por oficina recentemente. Compare com a tela.
- Se houver monitores não prontos, proponha rodar o carro e repetir a leitura outro dia, antes de pagar.
- Faça também a parte documental: consulta oficial do veículo, recall e, se quiser um terceiro olhando, um laudo cautelar com escopo por escrito.
Exemplo ilustrativo
A tela é inventada. O anúncio diz “carro de uso diário, nunca deu problema”. A leitura mostra zero códigos, catalisador e sistema evaporativo “não pronto”, sonda lambda e aquecimento da sonda “pronto”.
Zero códigos, isoladamente, pareceria ótimo. Os dois monitores não prontos dizem que alguns autotestes não terminaram desde a última vez que foram zerados. Isso não prova defeito, má-fé nem intervenção recente; a fonte não lista causas. A leitura só não confirma o “nunca deu problema”, e a pergunta útil fica concreta: posso levar o carro para uma segunda leitura depois de alguns dias de uso?
Fontes:
- eCFR, 40 CFR 86.1806-05, versão de 16/06/2024, texto histórico retirado em 17/06/2024, parágrafos (b), (d)(1), (e)(3) e (e)(4);
- Bosch Reposição Automotiva, scanners de diagnóstico.
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