Manutenção

Etanol ou gasolina: a conta certa para o seu carro flex

A regra dos 70% muda de carro para carro. Veja o limite de seis modelos na tabela do Inmetro, os preços médios da ANP por estado e a conta por quilômetro.

O etanol compensa quando o preço dele dividido pelo da gasolina fica abaixo da relação de consumo do seu carro, ou seja, os km/l com etanol divididos pelos km/l com gasolina. Os famosos 70% são uma aproximação dessa relação: na tabela do Inmetro de 2026, ela vai de 69% a 72% no consumo combinado dos seis modelos conferidos aqui, e de 67% a 74% quando se separa cidade e estrada.

Esta página mostra de onde vem esse número, como achar o do seu carro, onde ver o preço médio do seu estado e como fazer a conta por quilômetro, que é a que aparece no bolso. Ela também junta o que os manuais de carros flex dizem sobre misturar combustíveis e trocar de um para o outro.

Por que a conta não é igual para todo carro

O litro de etanol rende menos quilômetros que o de gasolina, e a diferença depende do motor, da calibração e do tipo de percurso. A Tabela PBE Veicular 2026 do Inmetro, na edição com cabeçalho de atualização de 14 de agosto de 2026, traz o consumo de cada versão com os dois combustíveis. Dividindo um pelo outro, sai o limite de preço de cada carro:

Versão na tabela Etanol combinado Gasolina combinado Limite combinado Limite cidade Limite estrada
Chevrolet Onix MT 1.0 10,2 km/l 14,6 km/l 69,9% 70,4% 69,3%
Chevrolet Onix AT 1.0T 9,5 km/l 13,4 km/l 70,9% 71,1% 71,2%
Hyundai HB20 Sense 1.0 10,2 km/l 14,2 km/l 71,8% 74,4% 69,5%
VW Polo TSI automático Comfortline e Sense 9,9 km/l 14,3 km/l 69,2% 68,7% 68,9%
Fiat Argo 1.0 9,8 km/l 14,0 km/l 70,0% 69,1% 71,7%
Honda City 1.5 9,8 km/l 13,9 km/l 70,5% 72,7% 67,1%

O HB20 mostra por que o percurso importa: na cidade, o etanol compensa até 74,4% do preço da gasolina; na estrada, só até 69,5%. Quem roda quase só em uma das duas situações pode usar a coluna correspondente.

Os valores da tabela são de ensaio em laboratório e servem para comparar. O seu carro, com o seu trânsito e a sua manutenção, pode ter outra relação. Se você anota abastecimentos e quilometragem, a sua média vale mais que a tabela. Para achar a sua versão sem misturar colunas, use o guia da etiqueta ENCE.

Como fazer a conta em três passos

  1. Ache o limite do seu carro. Divida os km/l com etanol pelos km/l com gasolina, da tabela do Inmetro ou das suas anotações. Use o percurso que mais se parece com o seu.
  2. Divida os preços. Preço do litro de etanol dividido pelo da gasolina, no posto onde você abastece.
  3. Compare. Se o resultado do passo 2 for menor que o do passo 1, o etanol sai mais barato por quilômetro. Se for maior, a gasolina.

A conta por quilômetro dá o mesmo resultado e mostra o tamanho da diferença: preço do litro dividido pelos km/l. É o custo de cada quilômetro rodado com aquele combustível.

O preço médio no seu estado

A ANP publica toda semana o Levantamento de Preços de Combustíveis, com médias do Brasil, das regiões, dos estados e de municípios. Na semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026, a média nacional foi R$ 4,13 o litro do etanol hidratado e R$ 6,55 o da gasolina comum, uma relação de 63,1%.

A média nacional esconde estados com resultados opostos. Alguns exemplos da mesma semana:

Estado Etanol (média) Gasolina comum (média) Relação
São Paulo R$ 3,84 R$ 6,36 60,4%
Mato Grosso R$ 4,22 R$ 6,90 61,2%
Paraná R$ 4,19 R$ 6,61 63,4%
Minas Gerais R$ 4,28 R$ 6,36 67,3%
Bahia R$ 4,50 R$ 6,65 67,7%
Rio de Janeiro R$ 4,76 R$ 6,62 71,9%
Rio Grande do Sul R$ 4,55 R$ 6,24 72,9%
Rio Grande do Norte R$ 5,15 R$ 6,73 76,5%
Amapá R$ 5,83 R$ 6,50 89,7%

São médias de postos pesquisados, não o preço da sua rua. A planilha da ANP também traz o preço mínimo e o máximo encontrados: no Brasil, naquela semana, o litro do etanol variou de R$ 3,19 a R$ 6,59. Use a média para ter ideia e a placa do posto para decidir.

Exemplo com números da tabela e da ANP

O carro é o Onix MT 1.0 da tabela do Inmetro, com consumo combinado de 10,2 km/l no etanol e 14,6 km/l na gasolina. Os 1.000 km por mês são uma suposição do exemplo; os preços são as médias estaduais da ANP na semana citada.

Em São Paulo. Etanol: R$ 3,84 ÷ 10,2 = R$ 0,376 por km. Gasolina: R$ 6,36 ÷ 14,6 = R$ 0,436 por km. Em 1.000 km, R$ 376 com etanol contra R$ 436 com gasolina: cerca de R$ 59 a menos com etanol.

No Rio Grande do Norte. Etanol: R$ 5,15 ÷ 10,2 = R$ 0,505 por km. Gasolina: R$ 6,73 ÷ 14,6 = R$ 0,461 por km. Em 1.000 km, R$ 505 contra R$ 461: cerca de R$ 44 a menos com gasolina.

O mesmo carro, no mesmo mês, tem respostas opostas nos dois estados. E perto do limite a diferença é pequena: no Rio de Janeiro, com relação de 71,9%, o Onix MT 1.0 gastaria cerca de R$ 467 com etanol e R$ 453 com gasolina nos mesmos 1.000 km.

O que os manuais de carros flex dizem

A escolha do combustível é livre nos carros flex, mas os manuais trazem alguns cuidados:

  • Misturar pode. O manual do Onix 2025 diz que, nos veículos flex, qualquer mistura de etanol e gasolina, em qualquer proporção, pode ser usada; a injeção se ajusta pelos sensores (p. 165).
  • Trocar de combustível pede alguns quilômetros. O Polo MY26 diz que o carro deve rodar cerca de 5 km para reconhecer o novo combustível, e que até lá pode haver queda perceptível de rendimento e dificuldade na partida com o motor frio (pp. 161, 189 e 190).
  • Pane seca. Se o Polo parar por falta de combustível, o manual manda abastecer com o mesmo tipo do último combustível usado.
  • Só etanol em motor de injeção direta. O Onix recomenda, para quem usa só etanol, um tanque completo de gasolina a cada 10.000 km para eliminar resíduos no sistema de injeção (p. 215). A Strada com motor Turbo 200 traz a mesma recomendação no plano de manutenção (p. G-18).
  • Potência. No Onix 1.0 aspirado, a potência máxima é 77,5 cv com gasolina e 81,6 cv com etanol (p. 224). A diferença existe, mas não muda a conta de custo.

A especificação de cada combustível também está no manual. O HB20, por exemplo, pede gasolina de octanagem 91 RON ou superior e etanol hidratado E100 (p. 2-14). O manual do Onix alerta que combustível adulterado pode causar danos irreversíveis ao motor. Se a luz da injeção acender depois de abastecer, veja o guia da luz de injeção acesa ou piscando.

Perguntas frequentes

A regra dos 70% está errada?

Ela é uma boa aproximação para os modelos conferidos, cuja relação combinada fica entre 69% e 72%. O erro aparece perto do limite: com preço em 70%, a resposta depende do seu carro e do seu percurso.

Posso misturar etanol e gasolina no mesmo tanque?

Em carro flex, sim. O manual do Onix permite qualquer mistura, em qualquer proporção.

O etanol estraga o motor?

Os manuais dos carros flex conferidos tratam os dois combustíveis como previstos para o motor. A ressalva é o uso só de etanol em motores de injeção direta, para o qual o Onix e a Strada Turbo 200 recomendam um tanque de gasolina a cada 10.000 km.

Carro automático muda a conta?

O câmbio muda o consumo, mas a relação entre etanol e gasolina ficou parecida na tabela: 69,9% no Onix MT 1.0 e 70,9% no Onix AT 1.0T. Veja quanto o automático gasta a mais em câmbio automático: como usar P, R, N e D.

Fontes:

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